Aviso: Esse texto é um material de apoio complementar aos nossos podcasts. Escute o Podcast “Waifus e Husbandos”

“Assistir animes é arte, se apaixonar por personagens faz parte!”.

Aliás quem nunca se encantou pela beleza ou personalidade dos mesmos? Mas será que essas paixões estão impactando de forma negativa as taxas de natalidade do Japão?

Que termos são esses?

Chamamos carinhosamente esses nossos amores fictícios de “waifu”, quando é uma personagem feminina e “husbando”, quando é masculino. A palavra “waifu” apareceu em um anime pela primeira vez em 2002, em “Azumanga Daioh”, mas só começou a ser utilizada em fóruns americanos na internet no ano de 2005. 

O termo é uma pronúncia diferente da palavra “wife” que em inglês significa “esposa” assim como “husbando” se refere ao termo em inglês para “marido”. Com isso os japoneses então começaram a usar esses termos ao se referir a personagens que são apaixonados. Ambas palavras começaram a ser usadas no Brasil a partir de 2004.

Incontáveis animes existem e com isso muitos personagens também, possuindo todo o tipo de características físicas e personalidades, facilitando assim que qualquer um se apaixone por algum deles alguma vez na vida. Se você é fã de animes e mangás e nunca se apaixonou por nenhum personagem, por favor, me ensine como! 

Paixão para uns, Obsessão para outros:

Mas infelizmente algumas pessoas levam essas paixões muito a sério, esquecendo totalmente que se tratam de animações e personagens que não são reais. Se você se encaixa nesse grupo, deixa a gente te contar uma realidade: Sua waifu/husbando não existe.

O problema se torna mais preocupante ao surgirem relatos de pessoas que possuem essa dificuldade em separar o mundo 2D do mundo real. Elas têm medo de se magoarem ou então não serem aceitas por seus parceiros, recorrendo à paixões platônicas por personagens ou idols cujo “relacionamento” não possui complexidade.

Para o Japão isso é visto como um grande problema e para as empresas, uma oportunidade de mercado. Graças a isso, a cada dia é possível encontrar produtos com a intenção de tornar esse contato com os personagens de forma cada vez mais realista e assim várias novas “waifus” surgem com aspectos que agradam esse público também.

Infelizmente as personagens femininas dos animes e mangás são cada vez mais vistas apenas como objetos sexuais sem profundidade, criadas não para representar de forma digna o público feminino mas para alimentar a atração masculina.

Os consumidores se sentem cada vez mais confortáveis nesse cenário e quando tentam encarar o mundo real, acabam buscando tanto aspectos físicos quanto psicológicos na pessoa que pretendem se relacionar. Por não encontrarem a utopia buscada, muitos acabam preferindo não dar sequência no possível relacionamento com o pensamento de que aquela pessoa nunca estaria ao nível de sua “waifu”.

E tem solução isso ?

Por fim, qual seria a melhor solução? Proibir a comercialização desses produtos ou até mesmo a criação de personagens que tenham esses aspectos? Não mesmo. A solução é a conscientização, ter em mente que aquilo não é real.

É ótimo ter personagens favoritos, admirá-los e aprender lições com os mesmos mas saber separar o apreço da obsessão é necessário. Não é saudável que essa admiração te impeça de viver ou se relacionar com outras pessoas.

Caso você sinta que está se isolando e criando uma obsessão, não tenha vergonha de compartilhar isso com alguém de confiança, inclusive buscando ajuda especializada de um psicólogo.

E você, tem algum(a) personagem que considera seu husbando ou waifu? Conhece alguém que extrapolou a linha entre o 2D e o 3D? Conte para nós nos comentários!