Aviso: Esse texto é um material de apoio complementar aos nossos podcasts.
Escute o Podcast “Fruits Basket”

Fruits Basket, de Natsuki Takaya, se tornou um marco do shoujo com sua protagonista gentil que mudou a vida de toda uma família com os ensinamentos de sua falecida mãe. Para uns, um exemplo, para outros, um exagero?

Afinal, o que podemos aprender com Fruits Basket? O que Honda Tohru tem a nos ensinar?

Furuba de cara nova:

O anúncio do novo anime de 2019 alegrou fãs e possibilita que uma nova geração conheça a história completa de Fruits Basket, que no primeiro anime de 2001 não foi tão respeitada. O mangá, que foi publicado de 1998 à 2006, conta com 23 volumes, já lançados no Brasil pela JBC e que serão relançados em edição Kanzenban ainda em 2019 segundo a própria editora.

Primeiro anime de 2001 em comparação com o anime de 2019.

Além do mangá de Fruits Basket, Natsuki Takaya produziu um spin off, Fruits Basket Another, que conta a história de outros descendentes da família Sohma, depois da primeira história que já conhecemos, e conta, até então, com 3 volumes.

Sobre:

Pra quem ainda não conhece, Fruits Basket conta a história de Honda Tohru, que cresceu criada pela mãe, tendo perdido seu pai quando muito nova por conta de uma doença. Desde pequena o fardo de ajudar em casa e não dar problema à mãe viúva moldou seu caráter, tornando-a extremamente cautelosa e perceptiva sobre os sentimentos dos outros, mas sempre ignorando as próprias necessidades em prol daqueles ao seu redor.

É com você sim, mocinha. Tem que se cuidar melhor!

Responsabilidade Feminina:

Essa é a realidade de muitas mulheres, que são cobradas desde a infância a colaborarem coletivamente de forma mais madura que os meninos geralmente são. A responsabilidade que mulheres carregam socialmente, de serem maternais, compreensivas, gentis, delicadas afetou também Honda Tohru, que é a perfeita imagem do que o feminino deve ser, contido, e o oposto de quem foi sua mãe, uma delinquente rejeitada socialmente e que apesar de tudo o que sofreu, também se dedicou muito a ser a melhor mãe possível pra Tohru (e conseguiu).

Kyoko Honda se dedica a ser pra sua filha a família que ela mesma jamais teve. Ambas são o pilar uma da outra, sozinhas no mundo. A dura realidade de violência e rejeição durante a vida de Kyoko é percebida por Tohru desde muito nova, se preocupando em não causar mais problemas pra sua mãe, uma pressão grande pra uma criança. Mesmo que sua mãe faça também o impossível pra ver sua filha bem, a solidão de ambas é perceptível.

Relacionamentos:

Podemos, já a partir dessa primeira relação, avaliar diferentes representações femininas em Fruits Basket, todas realistas, diversas, de naturezas gentis e maléficas, que sempre, SEMPRE, sofrem influência de seus meios, e isso é ESSENCIAL pra nossa identificação com as personagens assim como pra construção de laços realistas e consequentemente, uma boa história.

As estruturas familiares são o centro de todo o debate em Fruits Basket. Todos os personagens são forte e diretamente influenciados em suas ações, hábitos e traumas, por relações íntimas do primeiro contato social, a família, como comentado sobre a relação de Kyoko e Tohru.

A família é o que molda nossa impressão de nós e do outro, é o nosso primeiro contato com regras sociais, com relações humanas e com relação à nós mesmos. Portanto, a rejeição familiar se torna uma rejeição social, a hiper proteção também tem seus efeitos e cada personagem tem muito clara em suas ações os efeitos de como se deu essa primeira socialização.

Rejeição familiar transformou personagens como Kyoko Honda, mãe de Tohru, e Uotani Arisa, sua primeira melhor amiga, em delinquentes, que na busca por aceitação, por atenção, só puderam lutar contra suas famílias violentas e agressivas e contra a sociedade e seus moldes, que não as respeitavam. Ambas encontraram na gentileza de outras pessoas uma forma de sair desse lugar de abandono social e são capazes de seguir em frente por essa influência.

Delinquentes e Tohru.

Rejeições sociais de outros níveis, como escolar, também são trabalhadas com as personagens Hanajima Saki, outra melhor amiga de Tohru, e Sohma Kisa, que sofrem bullying pelas suas diferenças físicas e neurológicas. Ambas encontram na gentileza de Tohru forças pra amarem e serem elas mesmas, enfrentando as normas do mundo com mais coragem.

O poder da amizade.

Carga Emocional:

E mesmo a gentileza da Tohru sendo o que muda a vida de todo mundo, essa gentileza, apesar de ser sua natureza, a sufoca e a impede de seguir em frente, de ser ela mesma e até de se proteger de violências cotidianas.

Porém, essa admirável perfeição que ela é, sempre ajudando os outros, sempre percebendo seus medos, sempre calada com relação às suas inseguranças, aos poucos, em Fruits Basket, vai se quebrando. Ela entra nas traumáticas vidas dos membros da família Sohma sem perceber que essa relação os daria abertura pra entrar em sua própria vida, mudando tudo o que ela construiu em si mesma, e assim, a libertando.

Mas a liberdade é assustadora. Libertar-se é dar adeus, é mudar, é seguir em frente e aceitar que nossas memórias, nosso passado, o que nos moldou, já passou. E o medo de se perder do papel de filha dedicada também assusta nossa querida Tohru.

Amor de mãe e filha.

Considerações Finais:

Tudo na vida é equilíbrio e o que Fruits Basket reforça mais é o valor da gentileza com os outros, mas também com nós mesmos, sempre. A grande variedade de personagens, diferentes realidades familiares e sociais permite identificação certa e emociona em cada detalhe.

Olha só quanta gente!

Convidamos vocês à se emocionarem também com as histórias de superação, respeito e amor que existem em Fruits Basket e a procurarem, no dia a dia de vocês, respeitarem mais o ritmo e a realidade dos outros, sempre respeitando também a vocês mesmos!