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Escute o Podcast “O mundo tóxico das idols”

Dinheiro, fama, reconhecimento para uns, um ritual de passagem para outros. O conceito de idol na Ásia*, é totalmente diferente do resto do mundo e não tem como começar esse artigo sem pontuar alguns fatos.

*Iremos explorar essa denominação especificamente no Japão e Coréia do Sul.

Quem são as idols?

Para esse primeiro momento, vamos fazer um recorte da diferença entre idols e “aidorus”; por idols nos referimos a artistas como Ayumi Hamasaki, Koda Kumi, Namie Amuro, Kana Nishino.
São cantoras que surgiram no mercado já como talentosas cantoras e estrelas no mundo do entretenimento. Ao nos referirmos a grupos como AKB48 e Morning Musume, estamos falando de aidorus. Pode parecer uma linha bem tênue, mas se colocarmos os dois um ao lado do outro, é possível perceber que há um grande precipício entre os dois tipos de artistas.

Namie Amuro é considerada a rainha do pop no Japão.

Ser uma AIDORU

As aidorus são muito mais do que cantoras, há toda uma indústria de entretenimento por trás da ascensão das meninas. No Japão, para muitas dessas garotas, ser aidoru não é uma atividade fim, mas sim uma porta de entrada para se tornarem modelos, cantoras, dubladoras, atrizes… ou mesmo algo completamente sem relação. É uma fase da vida, quase um ritual de passagem.

Kyary é uma IDOL, pois ela surgiu na mídia como modelo e cantora, sem passar por nenhuma audição ou treinamento prévio.

Elas costumam começar do zero, melhorando suas habilidades de canto, dança e interação com os fãs no dia a dia, através de redes sociais e eventos.

O fenômeno AKB

Antes, idols e artistas de forma geral eram inalcançáveis, para se ver na TV, de longe em shows e nunca ter contato. O produtor Akimoto Yasushi criou o AKB48 para ir contra isso, com o slogan “idols que você pode encontrar”.

O AKB48 é uma girlgroup que consiste, segundo o wikipedia atualizado para 2019, em 116 membros separados em times e sub-units.

Tudo começou com a criação de um teatro em Akihabara, onde apresentações aconteciam regularmente para que todo mundo pudesse chegar e assistir, e ainda interagir com as aidorus de forma simples e direta. Isso foi tomando proporções inimagináveis, e logo foram recrutando novas meninas e criando times (Team A, Team K, etc), para que assim elas conseguissem se apresentar em dias diferentes, com músicas e estilos diferentes. Foi um total sucesso e o próximo passo foi abrir teatros em outros locais para atrair o público local que não tinha como ir até Akihabara. Assim surgiram SKE48 em Sakae (Nagoya), o NGT48 em Niigata e por aí vai. Atualmente, contam com mais de 13 grupos com teatros em cidades diferentes e até mesmo em outros países, como Vietnã, China e Indonésia.

Sashihara Rino, a idol mais bem paga e influente do mercado do momento, disse que o ideal para quem pretende fazer uma audição é não saber cantar nem dançar. Os fãs têm mais interesse em garotas que são ‘ruins’, porque querem fazer parte desse crescimento e ver as habilidades de suas aidorus favoritas melhorando com o tempo! Essa é a maior característica das aidorus: o apoio dos fãs.

Os Wotas

De uma maneira simplista: Otaku é quem gosta de anime/mangá? Os wotas ou doruwotas significa “aidoru otaku”, é quem gosta de aidorus! Eles consomem photobooks, singles, pôsteres de seus grupos favoritos, assim como nós, otakus, dos nossos animes. Funciona quase como uma torcida organizada: possuem dancinhas e chant slogans (fanchant). Os fãs do kpop se denominam como “kpoppers” e também possuem fanchants e até carteirinhas oficiais de fã clubes.

Fãs performando wotageis em Akihabara.

Mas assim como otakus têm os weaboos, os doruwotas também têm sua parcela negativa.

Essas pessoas na Coréia do Sul recebem o nome de sasaengs, um diminutivo para a palavra Sasaenghwal, que significa “vida pessoal” em coreano; são “fãs” obcecadas que invadem a privacidade dos idols com métodos (MUITO) questionáveis. Houve casos de fãs que invadiram o dormitório de idols e urinaram nas coisas para “demarcar território”(!!!) e enviaram cartas escritas com sangue, tanto de auto mutilações, como de menstruação.

Considerações Finais

Na indústria de entretenimento são vendidas fantasias em um modelo de negócio. O objetivo é fazer o público consumir o máximo possível que puder. São singles, álbuns, pôsteres, lightsticks, camisetas, toalhas… No Japão, alguns singles vêm com um cupom que pode ser usado para ajudar a sua aidoru favorita na votação para ela ser a próxima centro na dança, por exemplo. Os CDs vendem feito água, entram em rankings… Culpar apenas o sistema mercadológico é muito complicado. O buraco é muito mais embaixo.

Nós nunca saberemos 100% do que acontece por trás dos panos. Cabe a nós, como consumidores da indústria do entretenimento, termos consciência do que acontece e lembrar que há um ser humano por trás da máscara de idol. A internet nesses momentos pode ser algo muito positivo, pois a informação chegando a nós podemos tomar providências. Se o mercado depende de nós, fãs, para acontecer, temos que acreditar que com a união de fãs conseguimos mudá-lo.

PS: Para a produção deste artigo gostaríamos de agradecer profundamente ao Shilluba, nosso amigo wota queridíssimo, por nos enviar um e-mail tão enriquecedor, com informações e explicações mais aprofundadas do mundo das aidorus. A mais profunda gratidão da equipe do Otaminas! <3