Aviso: Esse texto é um material de apoio complementar aos nossos podcasts.
Escute o Podcast “Qual limite do Weeaboo?”

Talvez você já tenha se deparado com o termo Weeaboo por aí na internet. E talvez você tenha ficado confusa(o) e se perguntado: “mas o que raios isso significa? Qual a diferença em ser um weeaboo, fã ou otaku?! Não é a mesma coisa?” E a resposta é: Não!

As primeiras palavras em japonês nenhum otaku esquece. 

Estamos aqui hoje para contar mais um pouquinho sobre essa expressão e se existe um limite para a “fanzice”.

Explicando a diferença dos termos:

Há uma pequena confusão quando o assunto são essas terminologias, então vamos diferenciá-las e explicá-las brevemente. Quando admiramos algo ou alguém com muito afinco, pode-se dizer que somos fãs daquilo. Normalmente, como fãs, nós manifestamos nossa admiração de várias maneiras e muitas vezes até trazemos elementos desse universo que amamos para nosso cotidiano; como uma forma de fanservice de nós para nós mesmos. Tatuagens, action figures, pôsteres, camisetas, etc.

Aqui no ocidente, também usamos muito a palavra otaku para nos referirmos a pessoas muito engajadas com animes e mangás, que possuem um conhecimento mais aprofundado sobre o assunto. A palavra original em japonês possui uma conotação depreciativa e é usada para rotular os jovens que são obcecados por algum assunto. Já aqui por esses lados do globo esse termo não é tão pejorativo, sendo usado mais para descrever esses fãs da cultura pop japonesa.

E então chegamos ao vocábulo mais polêmico e mais recente entre esses: o weeaboo. Este termo é relativamente novo, tendo surgido no início dos anos 2000, nos EUA, e vem palavra “wapanese” , que em inglês é uma mistura de “japanese wannabe” (pessoa que quer ser japonesa). Esta gíria é usada somente no ocidente, para ridicularizar um ocidental que é obcecado exageradamente pelo Japão e por sua cultura.

Em muitos casos, essas pessoas chegam a renegar sua própria cultura, idolatrando o Japão de forma fantasiosa e expressando um desejo enorme em ser japonesa. Com frequência é comum notar que esses fãs mais radicais não possuem um conhecimento mais aprofundado sobre a cultura em si, por serem influenciados principalmente por animes e mangás.

Admirar e respeitar uma cultura nem sempre andam juntos.

Ufa! É uma palavra com uma carga de significado bem grande. O que acontece com essa terminologia é que ela carrega um sentido depreciativo e de ridicularização em relação a essas pessoas. E é a partir daqui que podemos ir ao ponto principal: existe um limite para ser um entusiasta da cultura pop japonesa? É mais complicado do que parece. No entanto, podemos citar alguns pontos que fazem essa paixão avassaladora ser considerada uma espécie de problema.

Quando passa do limite:

Com frequência, as pessoas recorrem a obras fictícias como uma válvula de escape de suas complicações do cotidiano, e isso pode gerar uma admiração tão extrema que faz com que a pessoa fantasie e romantize aspectos irreais sobre o Japão, deturpando muito a realidade. Existe também a necessidade de pertencer a um grupo e se sentir aceito, além da falta de empoderamento pessoal, cujos sinais podem ser falsamente ocultados ao se relacionar emocionalmente a personagens poderosos e suas histórias.

“Daijobu mãe”

Sentir-se vinculado à uma história fictícia tão ardentemente não é algo ruim! É divertido e amamos tanto essas obras e a cultura, que no fundo queremos ressaltar tudo do bom e do melhor que ela tem para nos oferecer! Amar e admirar algo tão fervorosamente pode ser muito contagiante e prazeroso e isso não te faz um weeaboo. 

Entretanto, a partir do momento que isso se torna nocivo para o indivíduo e sua vida, compromete seus relacionamentos e até sua forma de enxergar o mundo, é necessário parar, observar e se colocar em um patamar acima disso tudo, pois a prioridade não é a aquisição da sua próxima katana, mas sim a sua saúde. 

A obsessão exagerada pode afetar sua vida em muitas áreas, até impedi-lo de avançar e conquistar coisas. Viver uma fantasia sem um estudo aprofundado sobre o que realmente é genuíno nos torna ignorantes do mundo ao nosso redor. Querer classificar uma cultura sendo superior a outra é um problema, pois todas as culturas possuem seus lados positivos e negativos e estão longe de serem perfeitas. 

Não deixe que seus gostos interfiram em outras questões importantes da vida.

Nossa indicação aqui é: viva sua paixão, mas fique atento. A partir do momento que isso te torna cego perante a sua realidade e se torna um entrave de crenças rigorosas, não hesite em buscar algum tipo de ajuda, seja de familiares, amigos ou até outras pessoas! Ter amigos que gostem das mesmas coisas que você e compartilhar esse sentimento tão bom de reciprocidade é incrível! 

Para concluirmos nosso post, vamos enfatizar que a utilização do termo weeaboo possui um “peso” negativo e nunca, mas nunca devemos julgar alguém pelo que ela acredita ou gosta. Não sabemos quais caminhos levaram as pessoas até onde elas estão no momento, então cabe a nós apenas observar, aconselha-las quando pudermos e ter paciência, pois cada um tem sua digievolução em um tempo próprio!