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Escute o Podcast “Garotas só gostam de shoujo?”

A produção de animes e mangás é muito grande no Japão. Esse mercado só cresce e vem sendo muito influente na economia do país, por ter um público que aumenta constantemente. Por conta disso, existe uma intensa divisão demográfica, assim temos conteúdo para crianças, adolescentes e adultos de ambos os sexos.

As meninas de Hirunaka no Ryusei sendo únicas. (FONTE: Margareth Comics/Yamamori Mika)

O segmento de mangás destinado a meninas leva o nome de shoujo, no qual o significado literal da palavra é menina, o público-alvo dessa demografia é o feminino dos 12 aos 18 anos.

Como começou?

A primeira revista com quadrinhos focada nas meninas adolescentes, a Shojo Club, nasceu em 1923. As revistas para meninas e moças já existiam desde os primeiros anos da Revolução Meiji (1868) e tinham como objetivo formar boas esposas e mães. O diferencial da Shojo Club era trazer quadrinhos em aproximadamente 30% de suas páginas com histórias curtas, humorísticas e moralizadoras.

Uma primeira revolução nessa área começou no pós-guerra quando Osamu Tezukamangaká conhecido por A Princesa e o Cavaleiro e Astro Boy- e seus colaboradores introduziram temas mais maduros, além de estilos narrativos variados e inspirados no cinema e na animação, nos quadrinhos. A idade dos leitores e leitoras começou a subir e se diversificar. As revistas para meninas começaram a ter heroínas adolescentes com histórias com as quais as leitoras pudessem se identificar.

 

Lady Oscar, de Rosa de Versalhes, representante forte da quebra de padrões como mulher. (Fonte da imagem: https://nefariousreviews.com/tag/versailles-no-bara/)

Atualmente a trama de um shoujo segue essa politica do público se “encontrar” no personagem, trazendo assim protagonistas de idade semelhantes a de seus consumidores, geralmente colegiais. Além disso as histórias, em sua maioria, tem o intuito de idealizar o romance perfeito. Nesses romances, sempre são encontrados delicadeza, sentimentalismo e sensibilização dos personagens, esses aspectos, desde muito tempo, são associados à figura feminina.

Essa rotulação de que mulheres gostam de romance, existe em todos os tipos de entretenimento. É comum pensar que as mulheres preferem esse tipo de temática por sentirem seus desejos e emoções “melhores representados” nesse estilo de história. Esse pensamento, em alguns casos, é um total equívoco, pois sempre haverá exceções.

Liberdade na preferência:

Nos dias atuais é mais comum mulheres consumirem animes e mangás que trazem histórias de aventuras do que de romance, algumas nomeiam o conteúdo shoujo como clichê e preferem as inovações do conteúdo shounen – demografia direcionada ao público masculino de 12 a 18 anos.

Olivier Armstrong representa a falta de paciência com esteriótipos de feminilidade (FONTE: Fullmetal Alchemist Brotherhood/BONES)

Essa preferência acontece porque animes e mangás que são produzidos para homens e meninos possuem tramas mais flexíveis, com abordagens variadas, além de algumas possuírem romance, sem serem focadas apenas nisso. Também temos as obras que são escritas por mulheres que se encaixam na demografia do conteúdo para os homens, essas trazem personagens femininas fortes, com excelente representatividade e têm sido “queridinhas” entre meninas e mulheres, que cada vez mais procuram por personagens em quem se inspirar.

Garotas das obras serializadas na Shounen Jump desenhadas por Saeki Shun, autor de Shokugeki no Souma para um especial de Valentine’s day.

Garotas não gostam apenas de shoujo. Apesar das obras serem direcionadas a nós, estamos a procura de algo muito além do romance. Estamos livres para ter preferências naquilo que mais nos agrada, dispostas a quebrar essa rotulação que precisamos de romance em tudo.
TODOS são livres para consumir aquilo que os deixam confortáveis e animes/ mangás não deveriam fazer distinção de gênero.