Aviso: Esse texto é um material de apoio complementar aos nossos podcasts.
Escute o Podcast “Vamos falar de fanservice”

O desejo de agradar não é algo que se restringe aos fãs de animes e mangás ou da cultura oriental. Ah, o fanservice… Usamos tanto a expressão na internet, mas será que sabemos realmente o significado dela? E será que há um limite para agradar aos fãs?

Ao contrário do que muitos pensam, a palavra “fanservice” surgiu no Japão, inspirada pelo termo “room service”, ou seja: Entregar aquilo que os fãs querem ver, assim como o serviço de quarto de hotéis. É uma oferta maravilhosa que os autores dão para os fãs, alguns inclusive possibilitando quase uma co-criação da obra. Então por que há tantas desavenças e tantas pessoas torcem o nariz para o termo? Para isso precisamos falar do Ero-fanservice ou Ecchi.

Tantos jeitos diferentes de agradar os fãs e mesmo assim muitos autores apelam para a erotização de personagens femininas. É um tipo de fanservice muito conhecido pelo público otaku, senão o único tipo que as pessoas conhecem.

Quem consome esse tipo de  Fan service?
Questões sociais, hábitos e estereótipos ocidentais e orientais.

Esse tipo de fanservice é consumido em boa parte, pelo público masculino. Não que não ocorra a exposição de corpos masculinos voltados às mulheres, mas em sua maioria o conteúdo fica para fanarts ou demografias como shounen ai/ yaoi, um público mais restrito.

Isso muitas vezes ocorre por conta da situação social que o Japão se encontra. O que para nós ocidentais, no caso brasileiros, acaba sendo algo menos chocante, como mulheres em biquínis com fio dental, para o povo japonês é algo muito além da realidade do dia a dia onde as pessoas são mais reservadas ao mostrarem seus corpos. Precisamos entender a “importância” dessas questões, nos colocando no papel dos japoneses, o público para quem essas animações são destinadas.

Que armadura é essa? Protege muito o corpo ein…. (Foto: Reprodução/ J.C.Staff)

A erotização e exposição de corpos femininos não é um tipo de fanservice novo, ele já existe e está enraizado na cultura há anos. Naga é uma maga do anime Slayers dos anos 90, e essa é sua “armadura”. Acho que podemos todos concordar que para uma armadura, protege bem poucas áreas do corpo…

Quando o fanservice inclui a depreciação de personagens femininos e conotações sexuais, vira uma referência sobre o que as pessoas mais sabem sobre o mundo otaku, causando uma má interpretação sobre o que são as animações japonesas para o público de fora.

*ROLL EYES INTENSIFIES*  Nanatsu no Taizai, fazendo o bom e velho desserviço. (Foto: Reprodução/ A-1 Pictures)

Vocês podem estar pensando: Porque tudo isso é tão ruim quando é ao mesmo tempo algo tão comum no meio? A resposta na ponta da língua: Porque sensualidade excessiva e fora de hora faz com que as pessoas criem algo irreal. “Ah, mas e a liberdade de expressão do autor?”

Nenhuma mulher quer seus peitos ou bunda agarrados em público ou sem consentimento. Isso é assédio. Pessoas são presas e outras tem danos emocionais permanentes em suas vidas por conta de uma simples “brincadeira”. Não são todos que sabem diferenciar a animação do mundo real 3D. Uma situação dessa sendo tratada como comum… é aí que mora o perigo.

As Otaminas indicam Love Hina <3 (Foto: Reprodução/Kodansha)

Nem todo fanservice é ruim, e há muitas vezes como expor um lado mais sensual da personagem feminina, sem invadir seu espaço diretamente. Love Hina é um bom exemplo, do mangaká Ken Akamatsu.

É um “bom harem”. Harém é uma demografia onde o personagem principal possui algum tipo de “mel” e vários personagens (geralmente, se o principal é um menino, são meninas atrás dele e vice versa) o querem e brigam por sua atenção. O autor deixa as situações um tanto mais confortáveis porque se tratam das meninas indo atrás, delas deixando o personagem masculino tocar nelas, e querendo que isso aconteça. Negima é outro mangá posterior a Love Hina do mesmo autor que tem a mesma proposta, só que de uma maneira um tanto mais “mágica”, literalmente por se tratar de uma escola de magia.

Tipos de  Fan service:

Vamos dar outros bons exemplos de fanservice:

1-) Easter Egg é um fanservice de referência. Quando o autor deixa aquele fio que ajuda a conectar a outras obras, referências, etc. A CLAMP e seus personagens que transcendem histórias é um caso de easter egg. Pessoas de fora que não conhecem os outros títulos não perdem nada, no sentido da história não ficar desconexa, e os fãs vão a loucura. (Eu urrei quando Syaoran e Sakura na história de Tsubasa Chronicles apareceram em xXx Holic)

As meninas da CLAMP fazem muito disso em suas obras; personagens de títulos visitam outros universos das autoras. (Foto: Reprodução/ Kodansha – CLAMP)

2-) Casais Canon: Chamamos de Canon aquele casal que corresponde às expectativas da maioria do fã clube. Quando dizemos que SasuxSaku (Sasuke e Sakura do anime Naruto) é canon, significa que o autor confirmou para os fãs que eles são um casal real na obra. Não deixa de ser uma co criação, pois por mais que o autor tenha pensado nisso desde o começo, ele levou em conta as expectativas dos fãs.

Os fãs piram quando os ships viram canon. (Foto: Reprodução/ Shueisha)

3-) Crossovers: O jogo Jump Force é um crossover dos títulos da Jump. Quando personagens de mundos diversos se encontram em uma única história/cenário.

O Crossover que dá certo! (Foto: Reprodução/ Bandai Namco)

Não é ruim querer agradar os outros, isso faz parte da natureza humana. Nós do Otaminas, como produtoras de conteúdo, fazemos parte desse meio, mas é importante abordar os assuntos com cuidado, sempre.

Fan service poder ser bom e todo mundo gosta, mas o ideal é que seja feito sem denegrir a imagem de ninguém e sem passar uma mensagem negativa. Na dúvida, se coloque no lugar do outro, se não vai agradar a todos, você sabe que tipo de fanservice não fazer e não consumir.