Aviso: Esse texto é um material de apoio complementar aos nossos podcasts.
Escute o Podcast “CLAMP”

O nome CLAMP significa “uma pilha de batatas”!

Você pode até não conhecer o CLAMP, mas com certeza nesse mundo Otaku se já se deparou com alguma obra delas. Afinal, quem não conhece Sakura Card Captors? Seus trabalhos são marcados por temas que pregam a amizade, misticismos, sobrenatural, predestinação e até homoafetividade – também conhecido como gênero yaoi.

Sakura Card Captors é a obra mais conhecida da CLAMP, dentro e fora do Japão

CLAMP é um grupo formado atualmente por 4 mulheres (incríveis) criadoras de obras clássicas e renomadas no meio anime e mangá como Guerreiras Mágicas de Rayearth, Chobits, Kobato, xXx holic, entre outros. Até novembro de 2006, 100 milhões de volumes de seus mangás foram vendidos no mundo todo, além de prêmios. 

O grupo surgiu em Kansai, com originalmente 12 membros, todas mulheres! Elas se juntavam na escola para desenhar e escrever doujinshis e adotaram o nome Clamp Cluster. Desde o começo de sua produção em 1987, já era possível perceber um traço único e especial em suas obras; uma mistura de estilos inspirados em art nouveau, arte tradicional japonesa (ukiyo-e) e influências místicas como cartas de tarot.

Alphonse Murcha
Ukiyo-e, um gênero de xilogravura e pintura que prosperou no Japão entre os séculos XVII e XIX

 

 

 

 

 

 

 

As meninas começaram com histórias independentes inspiradas em Capitão Tsubasa, Cavaleiros do Zodíaco e Jojo com enredos yaoi (romance entre personagens masculinos). O primeiro mangá original do grupo a ser publicado foi RG Veda em 1989, baseado na mitologia indiana. Naquela época, o grupo inicial de artistas havia se reduzido para sete membros. 

RG Veda, a primeira obra original do CLAMP publicado no final dos anos 80

A história veio de um dos quatro manuscritos sagrados hindu de mesmo nome, Rigveda e conta a história de Ashura. Uma curiosidade é que a personagem principal, Ashura, não tem gênero definido. Além do idioma japonês permite a neutralidade, é algo muito ousado para uma primeira produção, ainda no século 20.

A formação atual

A partir de 1993, outras três mangakás saem do grupo, restando assim as quatro mulheres que lideram e mantém o CLAMP até hoje: Ageha Ohkawa, Mokona Apapa, Tsubaki Nekoi e Satsuki Igarashi.

Foi muito difícil encontrar uma foto delas recente. Acredito que essa seja de 2009. Da esquerda para a direita: Satsuki Igarashi, Tsubaki Nekoi, Ageha Ohkawa e Mokona

As integrantes dividem as atividades entre si como departamentos: Nanase Ohkawa (mudou seu nome em 2004 para Ageha Ohkawa) é responsável pelo roteiro e o marketing do quarteto. Ela negocia com as editoras e faz o planejamento de vendas. 

Mokona é a responsável pela arte. Fã de roupas tradicionais japonesas, está sempre vestindo kimono em suas aparições públicas com o grupo.

Satsuki Igarashi auxilia nas ilustrações e é a coordenadora de produção. Possui uma coluna mensal na NewType Magazine, revista de renome no meio anime e mangá no Japão.

Por último, mas não menos importante, temos Tsubaki Nekoi, que faz as correções nas ilustrações e é a ilustradora principal de algumas obras do grupo como Wish.

O traço se mantém consistente e com personalidade inconfundível do grupo. Em Wish temos um personagem que é um anjo, também sem sexo na narrativa.

Clamp e seus multi universos

Clamp in Wonderland

Clamp in Wonderland foi um vídeo promocional com os personagens mais famosos da época. A música é sobre um país das maravilhas cheio de imaginação, magia e sonhos!

A animação possui uma segunda versão feita posteriormente com seus títulos atualizados de 1995 a 2006

Mundos paralelos porém conectados. Encarnações em outros universos, os enredos das meninas do CLAMP trazem tudo isso e mais um pouco. Se fossemos fazer uma comparação com o mainstream, é como se fosse a Marvel dos Otakus!

Isso fica muito claro em obras como Tsubasa Reservoir Chronicles e xXx holic, Tokyo Babylon e X 1999

Em Tsubasa, Sakura não é uma Card Captors e sim a princesa do Reino de Clow. Ela tem suas memórias espalhadas por vários mundos em forma de penas angelicais e para recuperá-las, Syaoran, arqueólogo e amigo de infância, se une a dois companheiros e segue com Sakura até a Bruxa Dimensional Yuuko Ichihara para receber instruções de como salvá-la. Vários outros personagens são introduzidos ao longo da obra como Mokona (Rayearth), Chii (Chobits), entre outros. Tsubasa e xXx holic foram publicados simultaneamente, o que deixou a construção de ambas as obras ainda mais interessante.

xxx Holic e Tsubasa Reservoir Chronicles, duas obras que lançaram simultaneamente e com as histórias entrelaçadas

Já no caso de Tokyo Babylon, a história passa anos antes X. Subaru é um poderoso onmiyoji (exorcista/medium) do Clã Sumeragi. Ele, sua irmã gêmea Hokuto e um amigo íntimo dos dois, Seishirou Sakurazuka, lidam com casos sobrenaturais. O plot tem grandes reviravoltas e conta com uma profecia e maldição pelo qual os personagens são submetidos que se estende para X 1999.

Subaru e Seichiro em Tokyo Babylon
Ambos mais velhos em X 1999

Além de suas produções autorais, o grupo também é responsável por grandes contribuições e parcerias. O grupo foi responsável pelo design dos personagens de Code Geass, e produziram também a animação para o vídeo clipe de Rusty Nail da renomada banda X Japan em 1994.

Artbook de Code Geas, com o traço inconfundível do grupo

Atualmente o grupo tem duas produções em andamento, Sakura Card Captors Clear Card e xXx holic: Rei,publicados respectivamente pela Nakayoshi e Young Magazine. 

Dia do CLAMP

Dia 1º de Abril é aniversário da Sakura, também comemorado por fãs no mundo inteiro!

O dia 1º de Abril ficou conhecido pelos fãs das mangakas como CLAMPの日 (Clamp no Hi, Dia do Clamp) devido a muitos personagens marcantes fazerem aniversário nessa data como Sakura Kinomoto, Kimihiro Watanuki, Syaoran (nesse caso o de Tsubasa) e mais. Os fãs celebram na internet compartilhando suas obras favoritas, cosplay e tributos para o grupo.

Considerações finais

As obras da CLAMP são importantes por trazerem discussões e enredos atemporais e polêmicos de maneira sensível e com empatia. Um grupo que transcende rótulos e demografias shoujo e shounen, fica a “otadica” para todos os gêneros e idades: leiam e assistam CLAMP!