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Escute o Podcast “Mulheres são bem representadas nos animes?”

A Nami, de One Piece, sempre muito mais exagerada no anime do que no mangá. (FONTE: Reprodução/One Piece)

Mesmo passando por várias mudanças pelos séculos, a representação feminina na arte ao longo da história constantemente diverge da realidade. Há no imaginário dos artistas e autores uma idealização que quase beira a deturpação da imagem da mulher, desde a aparência física até o comportamento.

A estereotipação da figura feminina é reflexo da construção social do que uma “mulher perfeita” deve ser e parecer perante os olhos da sociedade em questão, e isso fica refletido nas obras de arte e literárias. Essa mesma idealização da mulher pode ser encontrada em diversas mídias e formatos até os dias de hoje, em filmes, séries, animações, quadrinhos, mangás e em animes.

É aproveitando esta deixa que entraremos no quesito do tão popularmente difundido, tão martirizado e tão pouco explicado: o infame fanservice.

O que é fan service?

Para melhor entendermos isso, vamos começar expandindo a palavra fanservice e o que ela representa no mundos dos animes. O termo – que em tradução livre é “serviço para fã” – vem do inglês, foi popularizado no Japão lá no começo dos anos 90, e refere-se ao ato de artistas inserirem em seus trabalhos elementos apenas para agradar os fãs e, assim, incentivar o consumo de suas obras.

Ao contrário do que muita gente pensa, o fanservice não é algo ruim. Ele serve a um propósito maior. Um propósito inicialmente pensado em lucrar agradando os fãs de uma determinada obra da melhor maneira possível. Um propósito grandioso para nós!

Brincadeiras à parte, muitos devem estar se perguntando: “mas o que o fanservice tem a ver com a representação da mulher nos animes?” Ora, meus caros, tem e muito!

Existem vários tipos de fanservice. Desde os mais brandos com a intenção de agradar o público de uma maneira mais divertida, como a inserção de Easter Eggs de personagens ou objetos na obra e piadas relacionadas ao universo da obra ou a outro, até o mais controverso e popular fanservice de todos: a inclusão de conteúdo sexual, ou ecchi (em tradução livre: “obsceno”).

O fanservice que a gente não quer:

Asuna, uma das jogadoras mais habilidosas do mundo, sendo escravizada? Ah, pára, né? (FONTE: Reprodução/Sword Art Online)

Quando a mulher é retratada em mangás e animes levando em conta somente o que agrada a base de fãs – em sua maioria homens com falta de traquejo social para interagir com mulheres – há um exagero ao focar na sensualidade e atributos físicos, em detrimento da profundidade das personagens, que acabam sendo objetificadas ao extremo e viram somente uma moldura para personagens masculinos se destacarem e se “darem bem”.

Devemos frisar que um fanservice com conotação sexual não é nocivo por si só, mas a maneira como ele é representado pode causar um impacto negativo a quem o consome. E é aqui que entramos quando o assunto é anime: Esta variação do agrado para os fãs afeta a imagem que as pessoas têm das mulheres de uma maneira bem mais contundente do que afeta o público masculino neste tipo de mídia.

Quando falamos em grupos sociais diferentes, querido(a) leitor(a), estamos falando sobre suas visões contrastantes e pequenas mudanças de nuance perante o que eles consideram sobre um determinado assunto. Levando isso em conta, a forma que a mulher é representada aqui no ocidente tem particularidades diferentes quando comparada com a forma que ela é representada no oriente.

Isso significa que temos uma perspectiva cultural diferente da que foi usada para fazer esses animes e mangás, e diferente também de como isso é visto e percebido pelas mulheres lá no Japão. Por isso não devemos generalizar essas visões. Temos opiniões divergentes aqui mesmo nesta parte do globo, então por que não teríamos opiniões diferentes das do outro lado?

Felizmente aos poucos a indústria está cada vez mais introduzindo personagens femininas fortes como: Erza, Genkai, Kikyou. (FONTE: Reprodução/Inu Yasha)

Felizmente, conforme as mulheres estão se tornando mais independentes, exigentes, lutando pela igualdade e consumindo mais mangás e animes, a indústria se vê obrigada a representá-las com personagens mais fortes e bem construídas. Além disso, o fato de ter cada vez mais mulheres no mercado de produção de animes e mangás nos oferece um olhar mais real para a representação feminina nessas obras.

Hitori Chise, aprendiz de mago que representa de forma mais realista a variedade de forças e fraquezas que uma mulher pode ter. (FONTE: Reprodução/The Ancient Magus Bride)

E você, querida leitora: se sente bem representada nos animes e mangás?